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Firts: Hillary Clinton   

Mulheres que estão mudando o mundo, ou FIRTS, WOMEN WHO ARE CHANGING THE WORLD um projeto especial da revista Time, traduzido pela Maria Clara de Oliveira, tradutora e nossa ouvinte, com a ajuda do Eduardo Pullen, analista de sistemas, nerd, arqueiro, host do  para postarmos pelo Ponto G aqui no Preciosa Madalena e celebrar este mês do Dia Internacional da Mulher conhecendo mais e mais mulheres importantes.

Como o projeto é grande vamos publicar aqui uma mulher por vez, assim você terá bastante conteúdo para consumir durante um bom tempo.

Confira, admire-as e compartilhe! <3

“Ela quebrou o teto de vidro”

Que imagem irregular usamos para mulheres que alcançam grandes conquistas, definindo suas realizações em termos das barreiras que tiveram que superar ao invés de exaltar seu triunfo. Lá está ela, onde o ar é rarefeito e o número de homens supera o de mulheres, mas a altitude é fantástica. Nosso objetivo com Firsts é que cada mulher e menina encontre alguém cuja presença nas mais altas posições de sucesso represente para elas que é seguro escalar tão alto – venham, a vista é espetacular!

 

1 – A CANDIDATA  

Foto por Luisa Dörr para TIME

Hillary Rodham Clinton   

“A luta valeu a pena”

É justo dizer que ser o primeiro em qualquer aventura ou conquista te coloca sob pressão. Você quer ser o primeiro a abrir a porta para os demais, e espera não ser o último.

Essa é uma conversa necessária. Eu escrevi um capítulo inteiro no meu próximo livro sobre ser mulher na política porque eu quero que as pessoas, especialmente jovens mulheres e homens, tenham uma noção do que é superar barreiras. Eu tentei colocar em contexto como era minha vida antes mesmo de eu subir no palco na Filadélfia para aceitar a indicação do Partido Democrático. Meu marido teve uma poderosa história para contar sobre sua educação e seu passado, e Barack Obama tinha uma história singular e poderosa. Poucas pessoas achariam minha história tão interessante porque eu passei minha juventude no meio do país, em meados do século passado. Mas eu acredito que minha história, como a história de tantas outras mulheres da minha época, é tão inspiradora quanto as outras – e é uma história de uma revolução de verdade. Eu cresci numa época em que as coisas começavam a mudar drasticamente para as mulheres. É uma parte importante da história que precisa ser contada novamente e entendida para que jovens mulheres e homens que virão depois de nós compreendam que os movimentos de equidade para as mulheres  são tão urgentes e essenciais como nunca.

O sexismo não desapareceu de nossa sociedade, quanto mais da política. Há numerosos exemplos no mundo real: nos negócios, na política, em áreas em que as mulheres não são tratadas com igualdade. Se você tem uma esposa no mercado de trabalho, ou uma filha, irmã, mãe, você tem o dever de se pronunciar e posicionar a favor de que as mulheres sejam tratadas com igualdade e respeito. Sexismo ainda exerce um peso em nossas vidas e nossas escolas. É um desafio muito sutil, porém evidente, que deve ser reconhecido e confrontado.

Por causa do nosso trabalho público, todas nós mulheres da política temos histórias para contar. Muitas vezes somos diminuídas, desprezadas ou insultadas por perseguirmos nossos interesses e carreiras. Então temos que fazer tudo o que pudermos para abrir um caminho para o entendimento e aceitação. Meu gênero é o meu gênero, minha voz é minha voz. Eu gosto de citar a primeira mulher no gabinete presidencial, Frances Perkins, que serviu com FDR: “A acusação de que sou uma mulher é incontornável”. Então abrace isso e tenha orgulho.

O fato de eu ser uma mulher advogando pelos direitos das mulheres, por igualdade e pelos serviços de saúde fizeram com que minha paixão por esses temas crescessem ainda mais. Minha esperança para jovens mulheres que estão chegando é desenvolver segurança e compromisso com o que você quer fazer da sua própria vida, e apoiar outras mulheres na busca de suas próprias ambições e sonhos.

Há uma grande oportunidade na política e no serviço público de ser recompensado com  o impacto daquilo que você consegue fazer. Estar nesse ambiente faz com que o governo seja mais representativo para o povo. Descobri que esse é o caso no Gabinete Oval e na Câmara do Senado, e como Secretário de Estado em algum capital estrangeiro, como defensor das questões que me interessam.

É melhor do que costumava ser. Os obstáculos institucionais e estruturais tem sido amplamente eliminados, embora eu tema que a administração atual possa tentar reinstaurar algumas dessas coisas. No momento, o que estamos enfrentando é mais comportamental que institucional, logo todos podem fazer parte. Mas acredito que essa luta também deve acontecer nas salas de aula, começando bem cedo. Sabemos que muitas vezes as meninas não são encorajadas ou não se sentem suficientemente seguras para levantarem as mãos e falarem. Sabemos que meninas já aos 6 anos acreditam que os meninos são mais inteligentes. Sabemos que, enquanto as meninas vão se tornando jovens mulheres, a pressão sobre elas aumenta em relação à aparência, como se vestem e seu comportamento.

Tudo isso pode ser desconcertante e preparar o terreno para o tipo de cultura em que os maus-tratos às mulheres são completamente aceitáveis. Temos que nos proteger do retrocesso, especialmente nesta administração, voltar no tempo com relação ao papel das mulheres em todos os setores, dos negócios à política e forças militares. Mas também devemos reconhecer que ainda temos muito trabalho a fazer para mudar as atitudes (da sociedade). E precisamos de mais modelos a seguir. Você não consegue se imaginar fazendo uma coisa se você sequer consegue enxergá-la. Como você pode querer ser uma exploradora submarina, ou uma general no exército, ou uma grande cientista, se você não vê as modelos para isso? Tudo isso é parte do desafio que estamos enfrentado.

Outro fenômeno preocupante é o bullying online. Grande parte dele é direcionado para as meninas, e grande parte dele vem de um senso de rebeldia, síndrome de “meninas malvadas”, como você quiser chamar. Mas muitas meninas são más com as outras fazem isso porque estão tentando obter uma posição dentro de seu próprio grupo social que ajude a aliviar suas inseguranças. Precisamos reconhecer que esse é um problema corrente. Não é apenas sobre política, é sobre a história de cada uma das mulheres e sobre o sonho de cada garota.

Essas barreiras culturais tem persistido mesmo que nós tenhamos removidos as barreiras legais. E parte do desafio é que você deve estar bem preparada e ser altamente competente e trabalhar bastante. Tudo isso é verdade. Mas não deveria ser uma tarefa impossível que mais e mais mulheres conquistem seus próprios objetivos. Acontece que encaramos um duplo padrão pernicioso baseado na ideia de perfeccionismo. A “maldição do perfeccionismo” é um tema de que eu falei no passado. Muitas jovens mulheres sentem que deveriam ser perfeitas – que o mundo diz que elas não são bonitas o suficiente, magra o suficiente, inteligente o suficiente, gentil o suficiente, adorável o suficiente…. qualquer coisa. Que de alguma maneira, elas não dão conta. Eu tento deixar o mais claro possível que elas não devem se sabotar pela imposição do perfeccionismo. Ninguém pode alcançá-lo. Sim, você tem que ser boa, tem que ser competente. Mas não deixe isso te paralisar. Não deixe isso minar as suas forças. Não ceda à pressão daqueles que constantemente demandam mais e mais de você quando eles claramente não cobram o mesmo dos funcionários homens.

Não existem pessoas perfeitas. Muitos artigos sobre mim sempre dizem “Ah, ela tem falhas”. Bem, diga alguém que não tenha! Mas isso é só uma parte de todo o  desmerecimento: não ouçam o que ela diz, não a sigam, não votem nela! Deixe os outros caras te entreter e seguir seus caminhos alegremente, cheios de falhas. Aceite o fato que você não é perfeita, que ninguém é. Cada um de nós é cheio de imperfeições. Cada um de nós tem desafios a superar. Aceite o fato de que você fará o melhor que puder para produzir um bom trabalho, para ser uma boa pessoa, uma pessoa que é compreensiva e empática. Precisamos chegar num ponto em nossa sociedade em que você espera por excelência e entrega excelência, mas sem que as mulheres sejam julgadas com padrões diferentes em como elas produzem seus trabalhos.

Eu quero apoiar pessoas cujos valores eu compartilho para comandar o gabinete, para a campanha salarial, para defender (as mulheres n’)os cargos públicos, e ser apoiada na política e no governo para fazer o que é certo. Eu tenho uma nova organização, Onward Together, onde estamos tomando esses pequenos movimentos (sociais) que começaram depois da eleição e encorajando mais pessoas, especialmente os jovens e as jovens mulheres, a se candidatar para cargos públicos em todos os níveis do governo. Mas nós também queremos encorajar as pessoas a se envolverem mais na vida cívica, entender o que significa uma reunião na prefeitura, para usar suas vozes e votos e influenciar  política e as pessoas que nos representam. Eu estou muito empenhada em fazer tudo o que posso para ajudar os Democratas a voltar para a Casa Branca e manter, senão aumentar, nossa posição no Senado para avaliar e balancear a atual administração.

Eu não quero que as pessoas se sintam desencorajadas pela minha derrota, ou que pensem que não deveria tentar ou apoiar as outras que tentarem. Não podemos desistir de tentar. A última eleição foi sem precedentes em muitos aspectos. No meu próximo livro, eu tento colocar o que eu poderia ter feito diferente, o que minha campanha poderia ter feito diferente. Mas também há de se reconhecer que sofri uma intervenção sem precedentes por um diretor do  FBI. Tivemos um adversário estrangeiro influenciando com sucesso as eleições. Tivemos os votos de afroamericanos e dos jovens reprimidos. Tivemos ainda sexismo, que foi central. Precisamos prevenir que todas essas coisas ocorram novamente, e algumas delas são desafios a longo prazo.

Eu vou passar um tempo durante a turnê do meu livro, e ainda por muitos anos, falando do que nós precisamos aprender sobre o que foi feito conosco nessas eleições. A cada dia que passa, parece que aprendemos mais sobre a interferência e o impacto profundo disso do resultado. E isso deveria aterrorizar cada americano. Não me importa se você é Republicano ou Democrata, ou quais possam ser suas inclinações pessoais, a qual partido você pertence, nós não podemos tolerar ser manipulados por um poder estrangeiro, especialmente um que é tão inclinado a desestabilizações como a Rússia e sua atual liderança.

Eu também quero que minha campanha presidencial tenha ajudado a pavimentar o caminho para as jovens mulheres que venham depois de mim. Porque mesmo que não tenhamos vencido, nós fizemos com que a visão de uma candidata mulher fosse mais familiar, e nos aproximamos da possibilidade de ter uma mulher na presidência. Nós tornamos comum a ideia de uma mulher líder do país, e isso é um grande feito. Todos que tiveram um papel em tornar isso possível deve se sentir profundamente orgulhoso. Tivemos alguns problemas bem no final, e eu acredito que teria ganhado apesar deles, e é nisso que quero que as pessoas acreditem. Temos que nos levantar novamente e correr atrás. Não se desenconrajar, não desistir. A luta valeu a pena.

Clinton, que foi Primeira Dama dos Estados Unidos, Senadora e Secretária de Estadi, foi a indicada pelo Partido Democrata para concorrer às eleições americanas em 2016.

 

Créditos

Fotografia: Luisa Dörr
Vídeos: Spencer Bakalar e Diane Tsai
Tradução: Maria Clara de Oliveira e Eduardo Pullen
Original: revista Time

 

 

 

 

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